Prosa & Poesia – Fernando Lopes

Perfil: Você já reparou que é muito complicado falar de si próprio, já tentou falar das suas qualidades, ou até mesmo defeitos, é difícil não é? É mais fácil você falar da sua vizinha do que de você mesmo, falar que ela é feia, que a música que ela ouve é uma porcaria, que seu cabelo é ruim, que ela tem mau gosto. Nossa! Isso tão divertido às vezes! Faz parte do nosso infinito universo de curiosidades para com o vil, por isso o BBB faz tanto sucesso! Bisbilhotar é bom não é? Agora falar de si próprio já complica um pouco mas vamos lá.

Sou um simples cara do interior da Bahia que veio morar na capital baiana há mais ou menos 11 anos, tenho 29 atá o dia 02/12 que farei 30 e espero não entrar na “deprâ” dos 30. Moro sozinho e sim, eu cozinho, lavo roupa também, lavo pratos (mas odeio), sou preguiçoso, lerdo, gosto de escrever, isso quando não estou com preguiça e vou dormir, adoro poesia (por isso estou aqui), considero-me um cara romântico, mas quem no mundo não se considera? Pergunte a qualquer pessoa na rua e ela vai dizer “sou muito romântico”, principalmente mulheres, por isso falar não é nada, é preciso gestos, e isso (eu acho) sei fazer muito bem.

Tenho 1380402176520785 de defeitos, mas não cabe eu falar aqui agora, iria perder a graça e o encanto… adoro café, música (boa), odeio calor, amo o frio, adoro filmes, qualquer tipo de filme, é só ter uma boa história, amo meus amigos ao extremo, amo minha família apesar de ser distante dela, (mas não espalha não pois tenho fama de miserável, hehe) Trabalho há 5 anos na area de publicidade de um jornal (classificados), não sou 100% feliz, mas quem no mundo é? Não sou nenhum santo muito menos um Hitler da era moderna, sou apenas uma pessoa comum, só isso. Sou rebelde e às vezes omisso, ou seja, Jovem.

Sem mais…

Periodicidade: Semanal

05/10/2008

O Lobo e a Lua

No meio da floresta uma Loba dá a luz a 5 filhotes, todos lindos como a própria mãe, mas havia algo de diferente em um dos lobos, um deles tinha a sua pelugem mais acinzentada, um tom de prata nas costa e seus olhos eram de cores diferente cada um, era o mais belo e mais inquieto de todos, enquanto todos os outros brincavam e mamavam, ele ficava quieto, observando as estralas e a lua, por quem surgiu uma paixão incondicional.

Durante todo o seu crescimento, ele sempre foi diferente, como todos sabem, os lobos vivem em bando, em grupos, isso para preservar a sobrevivência da alcatéia, natural do instinto, mas o lobo mais cinzento e de olhos coloridos não quis fazer parte do bando e logo se afastou dos irmãos e de sua mãe.

Vagava sem rumo pelo bosque escuro e úmido, caçava, dormia, banhava-se nas águas turvas dos rios, seu uivo envolvente de sentimentos puros e selvagens assombravam todos os moradores da floresta. O lobo sabia que a sua paixão era uma loucura, mas também sabia que essa paixão o fazia sentir-se vivo.

Sim, ele amava a Lua como se ama a si próprio, uma paixão utópica e platônica, talvez ele soubesse que nunca a teria em seus braços, mas mesmo assim continuava a sua saga de um dia a encontrá-la e viver esse romance louco. Ele era forte, veloz, sagaz, mas ainda sim, jovem e imaturo, seu amor o movimentava para um futuro incerto.

Durante muito tempo o lobo vagava sozinho pelo bosque quase sem esperança, já adulto e mais vivido, apesar de descontente e cabisbaixo, ele mantêm o seu sonho dentro do seu peito apertado e solitário.

Certo dia de outono, final do dia, o velho lobo regressa a sua toca, as nuvens deixam ver bocados do azul do céu, o pôr-do-sol desenha imagens avermelhadas nas nuvens, fazendo o lobo recordar da época em que perdia horas e horas observado os céus a espera de uma caricia da sua amada.

O lobo agora já velho segue seu caminho, em busca de algo que sempre sonhou, deixou a sua vida de repouso para traz e segue entre caminhinhos pelo bosque, subia a colina e, aguardou a olhar o horizonte que já se tingia de Azul-escuro da noite. “Ela” então levantou-se Bela, com o seu manto brilhante de Prata, todo o seu SER se transformou, então ele levantou a cabeça e os olhos brilharam, queria ser banhado pela Sua magia cor de Prata. O seu peito explodiu, pela sua garganta saiu um rouco clamor, chamando a Sua Amada.

A Lua Cheia iluminou o Lobo.

Qual Noiva resplandecente, ao encontro do seu Amado.

O lobo agora mesmo não a tendo aos seus braços, recolhe-se a sua toca sabendo que foi finalmente correspondido, o sopro gélido da lua no seu pêlo fez-se sentir realizado, velho e cansado aproxima-se da toca e deita-se no chão frio, fecha os olhos e sonha com a amada, só que desta vez, deferente dos outros vários sonhos, ele nunca mais acordará.

Eterno sonho ele viverá agora, o que para outros, isso seria loucura, para ele foi a única realização da sua existência.

13/09/2008

Sem título

Sinto-me obsoleto, a nostalgia que provém do desencanto aproxima-se do meu ser de modo lento e progressivo, não tenho mais medo de morrer jovem, distancio-me de tudo e de todos sem que eu mesmo perceba, aquela imensa vontade de crescer é agora uma imensa vontade de morrer por um sentimento simplório, já me acostumei com isso, vejo agora a sua imagem como uma pintura, uma obra pictórica pregada no meu coração causando um sangramento de dor.
Espero que a luz das trevas continue iluminando a minha vida que a cada dia percebo a sua inutilidade diante da morte que para mim tem um quê de atração fascinante, diante de tudo isso, vivo o meu porém sem nenhuma expectativa de um sonho melhor, portanto, que venha o apocalipse, que venha o mal do século, que venha Lúcifer, nada disso se compara com a solidão.

07/09/2008

Sem título

Nas noites claras, só vejo escuridão,
sentado a beira da janela, tendo mar como ilusão.
A chuva acalma minha triste virtude,
tenho visões e aparições da minha juventude.
Mortes, tiros, casais, crianças,
nada disso tem importância
Meu pensamento estar distante,
dizem que minha alma é uma fonte borbulhante.
Quero ser livre, livre dos meus adversários,
logo eu, o mais solitário dos solitários.
Ó paixão! Perdoai-me a minha tristeza,
que se faz noite, que se faz beleza.
É isso que vos digo,
meu eterno inimigo

30/08/2008

Pensando

Eu não me incomodo mais com o torcer de nariz das pessoas! (Será?) Na verdade eu nada posso fazer. Algumas estradas já passadas precisam (e devem) ser abandonadas, mas não é tão fácil assim. E se precisamos discordar para crescer, que discordemos então (faz o que tu queres, pois é tudo da lei). Quero arrancar de mim todo esse orgulho e egoísmo que aqui dentro criou raízes (já disse isso antes). Chega. Chega de percorrer caminhos sem saídas e sem destino, sem fim, sem sentido. Eu não queria correr, correr, correr sem saber onde irei chegar, às vezes quero, as vezes não, sei lá.

Das coisas que conheço e que me limitam, eu já cansei. Eu posso me sentir agora que não te sinto mais. Posso me ouvir agora que você não está mais aqui. E, agora, vou viver e correr e ser o que deixei por querer estar com você. (Mentiras!). Respostas imediatas para uma vida que não é minha. Uma maneira de se esquecer, perder, apagar, pintar o que já existe. Andar pelas ruas de Salvador sem rumo às vezes não é uma boa solução. Estar em todos os lugares e, ao mesmo tempo, não estar em nenhum, sei que você já sentiu isso.

O que me sobra agora é uma loucura, uma desculpa, uma vontade, uma força quase extinta que persiste em querer sair e me jogar longe, (longe, longe, estou em outra estação).

Meus caros, o que se passa na cabeça de vocês sempre que vocês recebem cartas minhas, muitas sem sentido e sem motivo para serem mandadas, por favor me respondam.

Algo me atormenta e eu não consigo saber o que é, ou sei e tenho vergonha ou medo de falar, o que importa se as pessoas não gostam das mesmas coisas e elas nunca ouviram falar do seu filme favorito! Afinal são só coisas. Sem valor, diga-se de passagem, (para elas).

(pensamentos de outrem) “de que adianta escolher uma saída fácil? ou esperar que a saída seja fácil? A graça de tudo é lutar por isso, senão que graça tem… “

Poupem-me, “o pior cego é aquele que não quer ver”, tá certo que quando a gente gosta de alguém tem que lutar, tem que ir atrás, mas sejamos sinceros, lances que não dão certo por bom tempo, mas têm finais felizes são esses lances dos protagonistas de novela e filmes, a vida real é outra coisa, (já dizia Belchior, “ao vivo é muito pior”).

Fico pensando como a gente perde tempo insistindo em tentar, não falo somente de tentar conquistar, mas de tentar que algo dê certo, e os motivos para que não dê são vários, vários mesmo, questão de dinheiro, família, personalidade, traição, tantos, tantos, que não vou entrar no X da questão… ou no Z ou Y da questão…

Que saco… vou adormecer um pouco ou uma eternidade…

24/03/2007

Saudades

Sinto saudades de um tempo que nunca vivi, de uma época inexistente, das batalhas que nunca lutei, das derrotas que levo no coração, sinto falta do calor do corpo da donzela que nunca salvei, sinto a dor das feridas que não existem, de um lugar frio e verde que meus olhos não vêem, eu sinto, eu sinto, eu sinto muita falta da minha juventude não vivida e dos amores platônicos da infância, a cada sol que se vai eu me lembro de um alguém que nunca existiu, das caricias do vento e do beijo suave e angustiante do amanhecer.

1 Comentário »

  1. Carla santos Disse:

    Muito bom.. perfeito, adorei!

    Lindooooooooooooo (o texto também é lindo..rs)


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